Do not take it anymore
“Eu não aguento mais brigar!”. Era só que eu pensava.
A vadia invadiu a sala de interrogatório e o gorila-trabalhador estava na minha única saída para evitar ter que brigar de novo.
Percebi que Marjorie tinha ficado onde estava e encarava o cobrador. Ele fazia o mesmo da porta. Até que olhou para mim, estendeu sua mão e disse:
- Sou sua única esperança. - Calmamente.
Percebi sua bondade, e a vontade de me tirar daquele inferno. Não pude deixar de olhar para a vagabunda e ver sua cara. Ela não estava nada satisfeita.
- Conseguiu escapar então, prisioneiro Jatobá. - Disse ela, esquecendo que eu estava ali.
- Eu não sei quem é você. Mas, sei que trabalha para a eMpReSa. - Calmamente continuou falando, ainda com a mão esticada, mas encarando a vadia.
Ela deu dois passos quase chegando na cadeira no centro da sala. Percebi que o cobrador-três-por-quatro se aproximava de mim lentamente. Não fiz nenhum movimento brusco, eu não estava em uma situação que poderia me livrar dos dois.
- Dois prisioneiros - iniciou o discurso Marjorie - Tentando escapar de mim? Eu já estou farta disso!
Ela tentou avançar com as mãos nuas. Mas o cobrador foi mais rápido e chutou a cadeira em direção a ela. Por onde ela tinha entrado ela voltou, mas com uma cadeira por cima.
Aconteceu tudo muito rápido. Só percebi, novamente, a mão estendida em minha direção e a fala calma e doce:
- É hora de correr. Seu irmão precisa te ver.
Segurei sua mão, e então saímos pela porta e descemos o corredor.
Flag
- Esse cara conseguiu mudar a velocidade da plataforma? Acabem com esse idiota! Ele já esta vivo tempo demais!! - Gritava o comandante.
Eu lá de baixo ouvia o desgraçado gritar. Que inferno.
Eu tinha acabado de sacrificar a plataforma para eliminar três soldados. Eles nunca vão saber o que acertaram eles. Estou eu aqui, também, após saltar da mesma e cair no meio dos dois que sobraram.
- Eu nunca imaginei em usar essa maldita arma. - Desabafei. Apontando uma bereta, para soldado da direita. Que ficou imobilizado.
Podia estar de costas para o soldado da esquerda (quando eu cai ele estava na minha esquerda!) mas sentia ele sorrir. Enquanto ele apontava e levantava seu rifle lentamente contra minha cabeça, só se ouviu um estalo no chão. Ele olhou direto pensando ser uma granada, mesmo sabendo que era um barulho de plástico resistente. E , quando ele achou o objeto no chão ele estava bem próximo ao seu pé e era um Ayphone.
- Ayphone Tiririca death mode: ON! - Falei enquanto apontava a arma para a cabeça do soldado da direita, que continuava parado.
O Ayphone, primeiramente, começou a vibrar. O soldado que já não entendia mais nada. Morreu com essa dúvida. O aparelho soltou duas presas da parte mais próxima do pé soldado e o atacou.
Ele urrou de dor mas logo foi abafada com uma descarga elétrica. Consegui ver do reflexo dos olhos do soldado, ao qual mantinha refém, o seu amigo caindo “frito” ao chão.
- Co…Como consegue fazer isso? - Ele perguntou.
Baixei a arma. Ele não faria mal algum…
Primeiro a plataforma levando três e agora um amigo fritando bem na frente dos seus olhos. Ele não estava em condições de brigar comigo.
-Sabe como é…- Falei olhando para o lado - TECNOLOGIAAAAA COOOOISSSAAAA DO DEEEEEEMOOOOOOOONIOOOOOO!! - Falei balançando os braços como se eu fosse uma coisa sinistra falando sobre algo sombrio.
Paramos alguns segundos.
Eu olhando para ele.
Ele olhando para mim.
Eu olhando para ele, me agachando lentamente, e pegando “meu” Ayfone.
Ele olhando para mim me agachar, pegar meu aparelho ver eu levantar e voltar a encará-lo.
Eu volto a olhar para ele. Quieto.
A cabeça dele explode depois de um tiro de rifle passar por ela.
Eu quase rio. E então me lembro que não estou sozinho!
- Prisoneiro!!! Está na hora de você voltar a cela!. - Disse o comandante.
E não faz sentido! Quando eu pulei da plataforma eu vi que esse comandante gritava de uma sacada, onde estava as bandeiras, suas ordens absurdas de me capturar. Mas, agora, ele já estava na plataforma na parede bem abaixo de onde ele se encontrava. Ele pulou da sacada até ali?! Não importava. Ele já tinha errado aquele tiro de rifle, o mesmo que já estava apontado para mim.
Consegui avistar uma daquelas muretas que são vasos para se plantar arvores em praças. A sala das bandeiras era bem arejada e batia um belo sol. Corri até essa mureta e pulei atrás dela para me defender daqueles tiros. Ele atirava muito mal por sinal. Por mais que a arma estava na minha mira ele só me acertava em volta. Parecia querer me conduzir a algum lugar…
- Mas você atira mal pra caralho! - Gritei de onde me escondia.
- Bah! Vai fode um cavalo!! - Ele respondeu, atirando um pouco mais.
Era complicado sair de onde estava. E, ainda, muito mais complicado ficar onde estava! Precisava continuar meu caminho e achar An’na. Pobre irmã…
Os tiros ainda rolavam a solta contra mim quando eu me “mudei” para a próxima mureta. Nesse meio caminho retribui os tiros com a “beleza” da minha Beretta. Foram 5 tiros até eu chegar na minha cobertura. E eu jogar a pistola longe por ela esta descarregada.
- Merda de arma de mulher! - Berrei.
Consegui ouvir um barulho de um clipe de balas bater ao chão. O som das balas pararam e só conseguia ouvir os passos do comandante em minha direção.
Ele chutou o clipe para longe, ele veio para bem perto de mim.
- Pare de reclamar prisioneiro. Você é tão escória da sociedade quanto uma mulher! Então mantenha-se calado. - Ele disse, recarregando o rifle.
“Mas que idiota” - Pensei. Nem falava da beretta ser arma de mulher por ela ser ruim…
Ele atirou de mais, e pior, estava chegando perto do meu esconderijo. Precisava reagir. Por estar recluso e com uma pitada de medo consegui contar os tiros. Só faltava mais alguns…
- Saia daí prisioneiro Thaymian! - Ele gritou, a alguns passos da mureta.
Joguei o clipe vazio pelo meu lado direito. Ele fuzilou o pobre coitado achando que era eu. Otário, acabou ficando sem balas. Pulei sobre a mureta, enquanto ele carregava o rifle, e joguei o Ayphone:
- Ayphone Tiririca de…- Não consegui terminar de falar.
Ele abateu o ayphone que estava soltando as suas “garras” para cima dele jogando-o ao chão. E, dando lhe o golpe de misericórdia, pisando nele e deixando-o morto.
Não era tempo de chorar o dinheiro gasto (Tá, o negócio nem era meu mas era caro!) corri em direção a ele quando ele terminava de engatilhar o rifle.
Tentei desarmá-lo sempre deixando o “bico” da arma para baixo enquanto o apoio do recuo estava bem a frente de nossas caras. Foi praticamente um cabo de guerra. Eu puxando de um lado e ele de outro com os rifles numa porcentagem, ainda, maior nas mãos dele.
Começamos então a dar voltas para ver se um dos dois desequilibrava. Até que, assustando eu e ele, o rifle começou a disparar. O filho da puta tava de brincadeira! E enquanto girávamos tinhamos tiros sendo disparados ao nosso lado. Até que ele parou, mesmo o rifle não estando descarregado.
Essa foi a minha vantagem. Consegui encostar o “bico”, que estava fumegante por causa dos vários tiros, em sua perna. Ele urrou de dor enquanto ele largava o rifle para eu poder segura-lo. Pobre de mim que, com tanta força que o retirei me virei de costas com o rifle em mãos. E antes que eu pude-se pensar em mirar ele já estava chutando as minhas costas.
Com a forçado impacto joguei o rifle longe. Tão longe que ele ficou preso em cima das bandeiras sem poder cair. Estávamos perto da plataforma e da sacada com bandeiras! Não sabia que tínhamos girado tanto…
Food, Food, Food…
- E para onde estamos indo mesmo? - Ela me perguntou
- Minta! - Disse Jatobá, com sua impaciência.
Encarei ele enquanto ainda carregava a irmã de Thaymian pelos corredores. Eratudo muto confuso por lá. Desde a sala de interrogatorios que eu percebi,levemente, possuir três portas uma do lado da outra. O que á era uma coisa confusa pra cacete.
- Temos que encontrar seu irmão… - Disse. Calmo.
Com os olhos vazios ela não conseguiu disser nada. Parecia haver algo preso em sua garganta ao qual ela não conseguia falar. Qual melancolia da alma poderia estar prendendo essa liberdade de expressão dessa livre jovem?!
- É…Por quê paramos? - Ela perguntou, beeeem confusa.
Percebi que realmente estávamos parados!
- Eu falei o que estava pensando? - Perguntei.
- Se tinha algo a ver com minha liberdade e melancolia da alma.Sim. - Ela respondeu.
Enquanto voltava a caminhar lentamente de um modo devagar. Aquela lentidão que só a vergonha nos propõe. Consegui enxergar um mapa ao final do corredor .Era ótimo para mudar de assunto:
- Um mapa! Esplêndido! - Disse.
- Um poeta! Que IMBECIL! - Jatobá repetiu no mesmo tom.
Ignorei até chegar ao final do corredor e comecei a ler o mapa. Alguns segundos epercebi que ela se afastava de mim.
- Só estou analisando o mapa. Fique por perto. - Disse sem me virar.
Percebi ela engolir um choro. Não me preocupei, a situação era difícil…
- Acho que - ela limpou as lágrimas do rosto - que servirão bife BEM acebolado hoje. - Ela disse, novamente limpando orosto e fazendo um sonoro **Snif**.
Ok, essa mulher é maluca e o irmão dela também! Pronto.
- Não Jet. - Disse Jatobá - Olhe o que ela vê.
Olhei na direção. Ela seguia para o corredor as direitas que chegaria numa escada que desce. Segundo o mapa iria para a parte de trás da cozinha bem acima da saladas bandeira. Que era enorme!
E realmente tinha um cheiro muito forte de cebola vindo de lá. Mas não tinha o porquê de descer aquelas escadas! Jatobá estava parado olhando para o final do corredor do qual viemos:
- Eles estão vindo.
Deixei a adoradora debife acebolado de lado e comecei a prestar atenção até que enxerguei Marjorie e um GRANDE soldado. E olha que estavam longe!
A vadia nos percebeu:
- Vocês estão muito fodidos! - Ela gritou.
O cara GRANDE ao lado dela só sorriu. Então ela continuou:
- Quero que conheçam um grande soldado da eMpReSa. O Cabo USB!
Que nome escroto.
Daria risada se não tivesse tomado um susto da irmã do Thaymian pulando na minha frente com um puta ar de assustada!
- Eu…eu não acredito… - Ela estava em estado de choque.
- Estou vendo você mijar em suas calças. Senhorita An’na… - Disse Marjorie.
“Ah…esse é o nome dela!” -Pensei.
- Precisamos sair daqui. Cobrador.
- Jet, realmente ele é grande! - Completou Jatobá.
Jatobá não tinha medo.Nem eu. Mas evitar encontros desnecessários e arriscar quebrar alguns ossos, eram sim, problemas grandes. E o cabo era ENORME (pensamento estranho)!
Marjorie e o USBzilla começaram a andar em nossa direção. Sem a menor pressa.
Eu queria evitar a cozinha.Do jeito que esses cabos e soldados da eMpReSA gostam de andar armados lá seria terrível se um botijão explodisse naquela cozinha pequena e todos apertados. Voariam peças de carnes humanas e sangue de molho de tomate, nas lajotas do cubiculo-preparatorio-de-alimentação inteiro! Falando em cozinhas e armas…Ele tinha um bazuca.
Claro que a merda dessa arma para ele parecia aqueles lançadores de tazo antigos: minúsculo! Só realmente percebi o perigo quando o projétil estava perto demais. Segurei a An’ epulei pela escada abaixo enquanto tudo explodia e um mapa voava junto conosco.
Rolamos escada abaixo, até adentrarmos uma porta (ainda rolando) onde o cheiro de cebola ficou mais forte. Quando paramos, tudo atrás de nós estava entulhos e pedaços de mapas. Os idiotas bloquearam o único caminho para seguir a gente.
No reflexo já observei pela cozinha inteira procurando inimigos. Estava vazia. Apenas as cebolas fritando ao fogo baixo. Quase queimando.
Na calmaria da situação me sentei ao lado de An’ que também estava sentada. se segurando para não cair no choro.
- São as cebolas não é? - Perguntei.
Jatobá deu uma risada e fez um “facepalm”. Eu não liguei.Pois, ela estava sorrindo.
- Não só elas…Thaymian tentando me salvar a qualquer custo. Arriscando sua pele…Agora isso, o cabo USB atrás de nós! - Ela engoliu o choro.
Esperei alguns segundos.
- Mas, o quê realmente é esse CABO USB? Me lembro de termos enfrentado dois quando fugimos da cela. - Dane-se falar sobre o Jatobá. Loucos é o que não faltam nessa história…
Ela nem percebeu.
- O cabo USB é de uma divisão extinta já. Ele é o último dos : Um Soldado Bombado.
Paralizei.
A vontade chorar era imensa para mim agora. Levantei tão rápido que ela levantou no susto e percebeu minha mudança de humor repentino.
Fui até um dos fogões e tive que passar por Jatobá.
- Ela…só pode estar brincando! -Ele disse.
Ela não podia ouvir. Mas já estava de pé, não entendendo o por quê de eu estar assim.
Peguei uma frigideira. Tomate, ovo e a cebola quase no ponto de escurecer.
E comecei a cozinhar.
- Ok…O que está acontecendo aqui? -Ela perguntou, num ar de “hellloooooo?”
Me segurei mais alguns segundos. Ela chegou perto. Pegou no meu braço.
- Eles fizeram coisas terríveis. Eu sei. Eles te afetaram de algum modo? Você também? -Ela continuou.
Os meus olhos continuaram a encarar a comida. Mas perguntei, no automático:
- Esse tipo de soldado. Esse último aí. Existe a quanto tempo?
- Ele é único. Os outros morreram para ele poder possuir o lugar na eMpReSa. Sabe: “Só pode haver um! Então. Se matem!” - Ela respondeu
Joguei a frigideira no fogão fazendo aquele barulho bem alto. Jatobá observava tudo, quieto.
Joguei a minha “gororoba-transporte-público” em um prato e me virei para An’na.
- Cozinhar me faz relaxar. Experimente. - Disse.
Ela pegou um garfo que estava próximo, e o prato. Espetou uma parte da comida elevou até a boca:
- Relaxar do que homem? - Ela perguntou terminando de colocar a comida na boca.
- Esse USB. Matou nosso mestre. - Disse me virandoa procura de uma saída. Enquanto ouvia o som de um garfo caindo ao chão.